sexta-feira, 27 de junho de 2008

O flirt

O dia (até à data) mais quente do ano!
Para me por em linha com o clima de calor, resolvi por-me "quente". Que é como quem diz: vestir uma roupette mais sensual, esticar os caracóis, em regra encarapinhados, e vestir a pele de mulher (ou jovem adulta) mais ou menos "fatale".
Como cantavam os Fúria do Açucar em mil novecentos e troca o passo, "Eu gosto é do Verão".
Já tem sido escrito, dissertado, cantado, etc., com ampla abundância que o calor produz sobre a maioria dos seres humanos um efeito de libertação, desinibição, e mesmo maior receptividade no convívio com outros seres humanos. O que no meu caso até é verdade.
Nos últimos dias - também causado pelo aumento brutal de consumo de alcoól - tenho andado como que mais solta...
Mas o meu "mais solta" confina-se (por enquanto) ao palavreado e à escrita.
No outro dia ao telefone, dei por mim a por o meu interlocutor a comentar o meu perfume em voz que me pareceu algo lânguida. Culpa minha, obviamente, que conduzi a conversa para esse tema. De forma aparentemente inocente, pois claro.
Não contente com isso, no outro dia à noite, pus-me a falar com um perfeito estranho no messenger. Até aqui nada de estranho, pois tenho andado numa onda de fazer novos conhecimentos, pessoalmente ou no mundo cibernético.
A conversa iniciou-se com aquele tema sempre útil: o tempo. Trocámos umas larachas sobre o mesmo e, já nem me lembro bem como, acabámos a trocar confidências sobre as nossas experiências na área do flirt.
Devo confessar-vos que adoro o flirt. E desconfio que qualquer pessoa adepta do racionalismo e do controlo ou sangue frio provavelmente também partilhará da minha adoração.
O flirt é, para mim, aquele exercício em que podemos mostrar o que de mais ousado há em nós, sem nos comprometer-mos com mais nada. Ou seja, em que podemos esticar a corda até ao limite, sendo minimamente inconsequentes. O que me pode acontecer por flirtar com alguém? Eu diria nada, desde que a coisa seja bem feita. Isto é, ser ousada sim, mas sem me atravessar com aspectos explícitos, sob pena de a coisa poder tomar o rumo que até nem é o pretendido.
Diria que o flirt implica também alguma paciência e alguma dose de teatralidade. Pelo menos no meu caso, que no dia-a-dia assumo uma certa quota-parte de calculismo, frieza, podendo muitas vezes aparentar ser fleumática. Paciência porque não deve ser fácil manter as coisas num nível superficial. Teatralidade, porque para mim isso implica fingir que sou uma pessoa despreocupada (o que não é de todo o meu caso) e que estou sempre pronta para toda e qualquer diversão (quem me conhece já deve estar: pois, não és mesmo tu...).
Mas é como digo: adoro o flirt. Creio que o flirt é das poucas situações em que não me importo de criar (ou que criem em mim) expectativas que provavelmente nunca terei oportunidade de comprovar ou de deixar que comprovem.
Os angolanos chamam a isto "ter garganta". E confesso-vos que muitas das pessoas por quem já estive "caidinha" eram mestres exímios na arte de "gargantar". Podiam até não ser esteticamente espectaculares, mas a bendita da garganta sempre exerceu, de facto, um poder influente sobre mim.
(P.S. - agradeço que quem tiver a paciência de ler estas linhas se abstenha de qualquer comentário ao passar por este trecho. A gerência agradece)
Mas atenção, exigo sempre o mínimo de nível de inteligência e humor corrosivo, e de conhecimento da língua portuguesa, em particular na conjugação de verbos. Comigo, não há flirt que resista a um interlocutor que me atira com um "conheço-lhe", "vi-lhe", "ha-des" ou "ha-dem"!
Por isso, já sabem: se tiverem amigos com a tal da garganta (e que cumpram os requisitos mínimos, está claro!), apresentem...

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