E porque Março marca sempre mais um ano da minha existência, os posts deste mês têm uma componente marcadamente existencialista. Existencialismo não necessariamente aliado a uma qualquer crise. Alguns momentos (e só mesmo breves momentos) de dúvida ou de incerteza, mas porque se não nos questionarmos não conseguimos perceber o que podemos (ou deveríamos mudar). Momentos críticos nunca fizeram mal a ninguém.
E falando em existencialismo, ontem lembrei-me de Mersault, de L'Étranger ou d'"O Estrangeiro" de Camus, uma das minhas obras favoritas (só ultrapassada por Oliver Twist, que contou com 5 ou 6 leituras até aos 18).
Li o Estrangeiro pela primeira vez com 17 anos, tendo revisitado esta obra 5 anos mais tarde. Mas a primeira impressão ficou, sem nunca mais ter esmorecido.
Desde logo por creio que nunca me identifiquei tanto com um personagem literário como o de Meursault. Trata-se de alguém que reage aos elementos da Natureza e não aos convencionalismos sociais. Apesar de já ter sido mais assim (o passar dos anos vai pesando no atenuar de algumas características), ainda assim trata-se de uma característica que vou mantendo.
Ontem foi assim: o dia começou meio cinzento, mas à medida que foi ficando mais solarengo, o meu espírito foi encontrando alguma quietude e sossego. Encostei-me no canto ideal do meu sofá, que é aquele no qual o sol bate directamente na nossa face e nos aquece e dá uma sensação acolhedora, e fui invadida por uma sensação de serenidade, calma e paz interior. Algo raro e que tento sempre aproveitar quando ocorre.
A sensação manteve-se, e procurei não quebrá-la,tendo-me entregue a mim e aos meus pensamentos, não deixando o mundo exterior interromper esta ligação que por vezes consigo estabelecer entre o meu mundo racional e o meu mundo sensorial. Simplesmente maravilhoso!
Resultado: a semana começou bem (bem sei que ainda hoje é segunda), sinto-me bem comigo mesma e a minha pele está macia ao toque...
E é nestes dias que fica reforçada a crença: sou eu e mais ninguém nem mais nada que determina o meu mundo.
segunda-feira, 23 de março de 2009
sexta-feira, 6 de março de 2009
E ao virar da esquina...
...virei trintona!
De facto, como pedido pela Minie, justifica-se a partilha da sensação de ter entrado nos trinta.
Devo começar por dizer que até meados de Fevereiro estava super excitada com a ideia. Desdramatizava qualquer comentário mais sombrio sobre a entrada nos trinta e estava hiper entusiasmada por começar uma nova fase. Afinal, sou aquela pessoa que adora sempre qualquer começo, e raramente (ou mesmo nunca) tem aquele sentimento de frio na barriga (how reckless of me...) perante o desconhecido. Prognósticos, só depois do jogo, já sabiamente dizia João Pinto.
Mas eis que na semana dos últimos dias de "vintinha" se apoderou de mim um sentimento de angústia, vazio, temor...
Dada a minha natureza hiper racional e analítica, dei por mim a fazer o inevitável balanço. Mais destes últimos dez anos do que propriamente de todos os anos desta minha última vivência terrena.
Confesso que o balanço gerou "mixed feelings". Sendo uma pessoa (ainda que tendencialmente) de objectivos, fica sempre uma tristeza quando não os consigo atingir. Mesmo que o não atingir signifique perder alguma coisa, mas ficar a ganhar noutras que acabam por ser muito mais valiosas...
Um dos objectivos que tinha em mente era, por exemplo, ter já constituído família. Ainda não aconteceu e não sei se será um que terei a oportunidade de ver concretizado a breve prazo. É claro que é um objectivo altamente irrealista no meu caso: adoro o meu trabalho e não me vejo a reduzir a intensidade que aplico ao mesmo (pelo menos, nos próximos tempos), prezo o meu espaço e a possibilidade de me recolher a ele sempre que preciso de "alone time", e, como tenho a mania de que quase tudo o que faço tem que ser bem feito, certamente iria perder-me na tentativa de encontrar um equilíbrio para tudo, com detrimento do meu próprio bem-estar (se já hoje é assim, imagine-se com mais dois ou três elementos).
Logo, objectivo não cumprido e ainda bem!
Não vale a pena perder muitas linhas com os outros objectivos: estão todos bem encaminhados.
A outra sensação dominante foi a do aumento do peso sobre os meus ombros: não sei se influenciada pelo que significavam os trinta há um par de anos atrás, mas desde Domingo que estou com aqueele sentimento de "agora mais do que nunca as pessoas esperam mais de mim...". Para quem não conhece o meu historial, isto até pode parecer trivial e sem grandes questões associadas.
Mas aqueles que me conhecem relativamente bem já estão a prever o que isto significará. Na verdade, posso dizer que um dos aspectos que marcam a minha passagem por este mundo e nesta era é precisamente as expectativas que carrego comigo: não sei porque carga de água, mas muitas vezes acho que tenho um reclame luminoso em néon na minha testa a dizer algo como "peçam-me para fazer ou chegar onde quiserem que eu não digo não". E, portanto, pedem-me. As entidades parentais depositam grandes esperanças em mim, mesmo apesar de ter um irmão que é simplesmente um génio e que sem dúvida chegará mais longe, se assim o quisermos dizer, do que eu. Mas ele é o eterno "codé" (o mais novo), e eu aquela que terá sempre o ar responsável (hábito adquirido desde o berço, segundo a minha mãe).
O que, de resto, infundiu em mim um pequeno sentimento de terror nos últimos dias...Confesso que tive dois ou três ataques de ansiedade nos últimos dois dias!
O que leva à próxima sensação ou sentimento - dúvida, incerteza: o que é esperado de mim daqui para a frente? Será que isto muda alguma coisa?
Espero que não. Aliás, um dos objectivos estabelecidos para o próximo ano vai ser precisamente abandonar progressivamente as amarras que eu própria criei: dar asas àquele ser mais espontâneo e impulsivo que eu sei tenho dentro de mim, algures.
Tornar-me menos defensiva, expor-me mais, deixar que mais coisas novas penetrem nesta bolha acrílica (se fosse de vidro já tinha partido há mais tempo) que criei para mim.
Great expectations? Provavelmente...mas se há quem consiga mudar em sete minutos, pode ser que eu o consiga em setenta dias ;-).
Em todo o caso, o sentimento predominante é: os vinte e nove que passaram foram bons, mas ainda agora estou a começar a escalada pela linha ascendente da curva da felicidade ou lá o que quer que issi signiifique para mim!
O primeiro sinal: o dia "0" ou 1 de Março. Dia simples, rodeada de quase todas as pessoas que contam e que sinto ainda me acompanharão nesta viagem por muitos, longos e bons anos!
De facto, como pedido pela Minie, justifica-se a partilha da sensação de ter entrado nos trinta.
Devo começar por dizer que até meados de Fevereiro estava super excitada com a ideia. Desdramatizava qualquer comentário mais sombrio sobre a entrada nos trinta e estava hiper entusiasmada por começar uma nova fase. Afinal, sou aquela pessoa que adora sempre qualquer começo, e raramente (ou mesmo nunca) tem aquele sentimento de frio na barriga (how reckless of me...) perante o desconhecido. Prognósticos, só depois do jogo, já sabiamente dizia João Pinto.
Mas eis que na semana dos últimos dias de "vintinha" se apoderou de mim um sentimento de angústia, vazio, temor...
Dada a minha natureza hiper racional e analítica, dei por mim a fazer o inevitável balanço. Mais destes últimos dez anos do que propriamente de todos os anos desta minha última vivência terrena.
Confesso que o balanço gerou "mixed feelings". Sendo uma pessoa (ainda que tendencialmente) de objectivos, fica sempre uma tristeza quando não os consigo atingir. Mesmo que o não atingir signifique perder alguma coisa, mas ficar a ganhar noutras que acabam por ser muito mais valiosas...
Um dos objectivos que tinha em mente era, por exemplo, ter já constituído família. Ainda não aconteceu e não sei se será um que terei a oportunidade de ver concretizado a breve prazo. É claro que é um objectivo altamente irrealista no meu caso: adoro o meu trabalho e não me vejo a reduzir a intensidade que aplico ao mesmo (pelo menos, nos próximos tempos), prezo o meu espaço e a possibilidade de me recolher a ele sempre que preciso de "alone time", e, como tenho a mania de que quase tudo o que faço tem que ser bem feito, certamente iria perder-me na tentativa de encontrar um equilíbrio para tudo, com detrimento do meu próprio bem-estar (se já hoje é assim, imagine-se com mais dois ou três elementos).
Logo, objectivo não cumprido e ainda bem!
Não vale a pena perder muitas linhas com os outros objectivos: estão todos bem encaminhados.
A outra sensação dominante foi a do aumento do peso sobre os meus ombros: não sei se influenciada pelo que significavam os trinta há um par de anos atrás, mas desde Domingo que estou com aqueele sentimento de "agora mais do que nunca as pessoas esperam mais de mim...". Para quem não conhece o meu historial, isto até pode parecer trivial e sem grandes questões associadas.
Mas aqueles que me conhecem relativamente bem já estão a prever o que isto significará. Na verdade, posso dizer que um dos aspectos que marcam a minha passagem por este mundo e nesta era é precisamente as expectativas que carrego comigo: não sei porque carga de água, mas muitas vezes acho que tenho um reclame luminoso em néon na minha testa a dizer algo como "peçam-me para fazer ou chegar onde quiserem que eu não digo não". E, portanto, pedem-me. As entidades parentais depositam grandes esperanças em mim, mesmo apesar de ter um irmão que é simplesmente um génio e que sem dúvida chegará mais longe, se assim o quisermos dizer, do que eu. Mas ele é o eterno "codé" (o mais novo), e eu aquela que terá sempre o ar responsável (hábito adquirido desde o berço, segundo a minha mãe).
O que, de resto, infundiu em mim um pequeno sentimento de terror nos últimos dias...Confesso que tive dois ou três ataques de ansiedade nos últimos dois dias!
O que leva à próxima sensação ou sentimento - dúvida, incerteza: o que é esperado de mim daqui para a frente? Será que isto muda alguma coisa?
Espero que não. Aliás, um dos objectivos estabelecidos para o próximo ano vai ser precisamente abandonar progressivamente as amarras que eu própria criei: dar asas àquele ser mais espontâneo e impulsivo que eu sei tenho dentro de mim, algures.
Tornar-me menos defensiva, expor-me mais, deixar que mais coisas novas penetrem nesta bolha acrílica (se fosse de vidro já tinha partido há mais tempo) que criei para mim.
Great expectations? Provavelmente...mas se há quem consiga mudar em sete minutos, pode ser que eu o consiga em setenta dias ;-).
Em todo o caso, o sentimento predominante é: os vinte e nove que passaram foram bons, mas ainda agora estou a começar a escalada pela linha ascendente da curva da felicidade ou lá o que quer que issi signiifique para mim!
O primeiro sinal: o dia "0" ou 1 de Março. Dia simples, rodeada de quase todas as pessoas que contam e que sinto ainda me acompanharão nesta viagem por muitos, longos e bons anos!
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