E porque Março marca sempre mais um ano da minha existência, os posts deste mês têm uma componente marcadamente existencialista. Existencialismo não necessariamente aliado a uma qualquer crise. Alguns momentos (e só mesmo breves momentos) de dúvida ou de incerteza, mas porque se não nos questionarmos não conseguimos perceber o que podemos (ou deveríamos mudar). Momentos críticos nunca fizeram mal a ninguém.
E falando em existencialismo, ontem lembrei-me de Mersault, de L'Étranger ou d'"O Estrangeiro" de Camus, uma das minhas obras favoritas (só ultrapassada por Oliver Twist, que contou com 5 ou 6 leituras até aos 18).
Li o Estrangeiro pela primeira vez com 17 anos, tendo revisitado esta obra 5 anos mais tarde. Mas a primeira impressão ficou, sem nunca mais ter esmorecido.
Desde logo por creio que nunca me identifiquei tanto com um personagem literário como o de Meursault. Trata-se de alguém que reage aos elementos da Natureza e não aos convencionalismos sociais. Apesar de já ter sido mais assim (o passar dos anos vai pesando no atenuar de algumas características), ainda assim trata-se de uma característica que vou mantendo.
Ontem foi assim: o dia começou meio cinzento, mas à medida que foi ficando mais solarengo, o meu espírito foi encontrando alguma quietude e sossego. Encostei-me no canto ideal do meu sofá, que é aquele no qual o sol bate directamente na nossa face e nos aquece e dá uma sensação acolhedora, e fui invadida por uma sensação de serenidade, calma e paz interior. Algo raro e que tento sempre aproveitar quando ocorre.
A sensação manteve-se, e procurei não quebrá-la,tendo-me entregue a mim e aos meus pensamentos, não deixando o mundo exterior interromper esta ligação que por vezes consigo estabelecer entre o meu mundo racional e o meu mundo sensorial. Simplesmente maravilhoso!
Resultado: a semana começou bem (bem sei que ainda hoje é segunda), sinto-me bem comigo mesma e a minha pele está macia ao toque...
E é nestes dias que fica reforçada a crença: sou eu e mais ninguém nem mais nada que determina o meu mundo.
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