
Maio é um mês de aniversários. Não só de familiares e amigos, mas também aqueles aniversários que antes tinham um significado para nós. O 8 de Maio (quando tudo começou) e o 12 de Maio (o início do fim, sete anos depois...). Faz, assim, sentido que seja agora em Maio que o círculo se complete.
Depois de, na semana passada, ter ido ver o "He's (just) not that into you", este fim-de-semana, na minha incursão fnackiana, comprei o livro. Não o "screenplay", mas o próprio do livro original.
Se tivesse apenas visto o filme, não estaria agora a escrever-te este post. Felizmente, que me passou pela cabeça ler o livro.
Li o livro em três dias e adorei.
E hoje, depois de lida a última página do livro durante o intervalo do almoço, 6 horas mais tarde, enquanto andava desenfreada a subir degraus no "Stair Masters" lá do gym, tive a minha epifania, o meu momento de revelação.
Em primeiro lugar, desculpa. Desculpa por te ter feito perder o teu tempo comigo e ter-te dada a possível ilusão de que podíamos ter um futuro. Provavelmente não merecias, mas o mal de não sabermos o que queremos ou de nos deixarmos conduzir pelas circunstâncias (ao invés de as conduzirmos) é precisamente esse: andamos desnorteados e deixamos que alguém nos tente dar um norte.
Não me leves a mal: eu gostei dos 7 anos que tive contigo. Adorava-te (e creio que vou continuar sempre a adorar-te). Adorava a nossa intimidade, as nossas conversas, a nossa interacção em momentos de família e com os amigos, a tua companhia, o teu abraço e calor humano.
Mas esta semana soube (ou confirmei) que não passava disso mesmo: de uma adoração.
Percebi que, afinal, eu nunca estive "that into you".
Nunca senti uma dor física provocada pelos momentos em que estivémos afastados(e ainda estivémos uns quantos), nunca senti a ânsia desperada de te ligar logo pelo início da manhã ou no fim da noite para ouvir a tua voz, muitas vezes preferi dedicar o pouco tempo livre que tinha para estar com os meus amigos e contigo, em vez de querer estar só contigo. Nunca me vi (mesmo sabendo que o posso ter dito) a passar uma eternidade ao teu lado sem que isso me desse um frio na barriga. Nunca me empenhei para te preparar surpresa, como gosto tanto de fazer e como tu próprio testemunhaste em relação a terceiros.
Em segundo lugar, desculpa nunca te ter dado a perceber que também não eras tu que eu queria. Perdoa-me a minha indisponibilidade emocional, da qual sempre tiveste noção (muitas vezes noção essa que te induzi e reforcei por diversas vezes).
Dei-te a perceber o ideal de ti que eu gostaria de ter, a imagem que eu gostava que tivesses de mim. Com toda a pressão que isso implicou. Mas isso foi relativamente fácil, porque, apesar de tudo, eu nunca me abri, nunca te mostrei tudo o que sou, só aquilo que eu achei que te interessava veres. Mesmo nos momentos em que estive lá para ti, nunca estive totalmente lá, nunca foi um apoio despreendido. Desculpa.
Mesmo o meu "perdão" não foi desinteressado. Primeiro, pensei em mim, no meu orgulho, nos meus planos e objectivos e em como não queria abdicar deles. Foste, num caso, muito particular, um meio para a obtenção de um fim. Que, como seria de esperar, atingi...
Mesmo a minha hesitação quando falaste na palavra "C", não se deveu à dúvida de saber se valia a pena recomeçarmos por aí, mas tão só ao facto de estar farta de estar sozinha, com todas as desvantagens que isso tem.
Hoje percebo porque nunca te disse a palavra "A" (aliás, acho que já na altura, o percebia...).
Porque, como dizem os autores do livro, dizer "gosto muito de ti" quer dizer só mesmo "gosto muito de ti". E dizer "não liguei" ou "não me apetece" porque estou cansada depois de ausências de dias só pode querer dizer "estou de tal modo interessada que nem mereces o meu esforço".
Não quero com tudo isto dizer que não me fizeste sofrer. Afirmar tal coisa seria estar a enganar-me a mim própria. Mas mesmo o meu sofrimento não foi, sinceramente, por ti, mas por mim: ninguém gosta de se sentir traída e humilhada, muito menos quando é o próprio namorado que a sujeita a humilhações, e sem que eu soubesse e pudesse defender-me delas. E ainda hoje, a minha mágoa para contigo vem tão-só daí: de saber que voluntária e conscientemente (e, quiçá, intencionalmente) me deixaste exposta e indefesa a quem não devias.
Se um dia passares por aqui e perceberes que és o destinatário deste post, que o mesmo te ajude também a teres a tua closure e termine os teus dilemas ocasionais.
E, no futuro, quem sabe? Todos aqueles que vêm em paz são bem-vindos ao meu círculo de amigos.
Como sempre te disse, sou pessoa de me arrepender do que faço e não do que deixo por fazer.
N.