terça-feira, 15 de setembro de 2009

The power of nice e porque devemos evitar levarmo-nos muito a sério




Com o avançar da idade, começa a fazer-me cada vez mais espécie o tempo que gastamos - sim, também me incluo neste plural com alguma frequência - a querer mostrar aos outros algum tipo de antipatia ou desprezo.
Em particular, quando não conhecemos as pessoas com as quais estamos a interagir nesses momentos e que nada nos fizeram para merecerem essa atitude.

O presidente da Tertúlia do Tau Tau (Triple T) já me tinha avisado dos efeitos nefastos que isso tem: bloqueia a oportunidade de conhecermos mais pessoas, alargarmos o nosso universo de relacionamentos (seja a que nível for) e incorporarmos novas experiências na nossa vivência.

Eu própria já fui destinatária no passado de alguns e-mails de amigos em que estes me recomendaram vivamente a leitura deste livro. É óbvio que se tratavam de e-mails para "maçar", mas acredito que provavelmente a recomendação também teria fundo de verdade.

O que é certo é que, aliadas a estes e-mails, a visita a Düsseldorf o ano passado e a tirada do Presidente da Triple T - que tocou num ponto, confesso -, motivaram uma das resoluções de ano novo para 2009: tentar exercer com mais frequência o power of nice.

O primeiro nível de prática? A vida pessoal, está claro. E o que é certo é que de facto se começam a notar algumas evidências. Now, don't get me wrong. Eu não sou propriamente a encarnação da antipatia. Mas já me têm dito que esta é normalmente a primeira impressão que algumas pessoas têm de mim num primeiro contacto. Especialmente se este ocorrer num ambiente que desconheço e no qual sinto que não terei controlo - ainda que mínimo - do desenrolar de eventos. Portanto, decidi tentar mudar, até porque as primeiras impressões contam e muitas vezes o tempo não as permite inverter.

Assim, tenho vindo a mudar - aos pouco, é certo - o meu comportamento relativamente a pouco conhecidos ou mesmo muito desconhecidos, tentanto ser mais sorridente e simpática. Não posso dizer de forma desinteressada, desde logo porque um dos principais efeitos do power of nice é sentirmo-nos bem com nós próprios e, em simultâneo, parte do universo das pessoas a quem estamos a dirigir a nossa simpatia. Portanto, o power of nice tem também uma componente de auto-gratificação e de auto-realização. Being part of a bigger picture.

E, de facto, nunca se sabe se um sorriso, ainda que lançado ao acaso, não acabará por ter um efeito benéfico sobre quem o vê, mesmo não sendo este o seu destinatário pretendido. Ou seja, junta-se o útil ao agradável, já que ser simpático não custa, não magoa e até pode ter efeitos positivos (não confundir com o adoptar o papel de palhaço do circo e assim preferirmos ser rebaixados e pisados por falta de coragem para nos afirmarmos, seja na vida pessoal ou profissional. A nossa auto-estima é passível de conjugação com o power of nice, sem perda de dignidade e de assertividade).

Já o ar carrancudo, para além de nos tirar anos de vida, também nada de benéfico faz por nós. É fisica e psicologicamente desgastante, nada espontâneo e, em muitos casos, nem revela a nossa verdadeira natureza. Revela apenas uma faceta ou uma personagem que, na nossa cabeça, é a que deveríamos transmitir ao mundo para sermos - pensamos nós - levados a sério...

Mas ainda falta...pois que transpor esta atitude para o campo profissional ainda custa. É complicado, ainda para mais numa época em que vivemos num ambiente laboral altamente competitivo, em que as pessoas são treinadas a levarem-se mais a sério do que deviam, a fazer marketing desta imagem, a não reconhecerem a utilidade da humildade e os erros cometidos, a acreditar que é um mundo de "dog-eat-dog" e que quem mostra sentimentos está condenado a não sobreviver. Me included...but I'll get there. I'll be damned if I don't!

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