domingo, 27 de setembro de 2009

É sintomático que...

..numa noite de eleições (nas quais, fyi, participei, sim senhora), esteja agora sentada ao computador a procurar notícias do Mundo ou a jogar "Mafia Wars".

Registo que o resultado me agrada, como não podia deixar de ser, mas ao mesmo tempo estou com um nozinho no estômago.

Deixei propositadamente para o fim escrever sobre este processo eleitoral, pois que cada vez mais reconheço mérito às célebres palavras de João Pinto: "Prognósticos, só depois do jogo" (ao que também devo ser seguida por Nassim Nicholas Taleb).

E ainda assim não me pretendo alongar muito sobre o tema. Resta-me ser consequente com as minhas palavras, proferidas muitas vezes a propósito de exemplos não tão bons da democracia, e que rezam assim: "cada povo tem o governo que merece. Os governos de cada país mais não são do que o reflexo das sociedades que os elegem".

Como fã acérrima do contrato social - e como ontem referido por um notório e eloquente conservador da área de Loures (onde por acaso me encontro hoje a escrever estas linhas) - e os contratos criam direitos e deveres que são para serem cumpridos, não posso deixar de mencionar, a título de nota pessoal, o quão triste e desapontada me deixa o elevado nível de abstenção registado num acto eleitoral cujos resultados são os que mais impactos provocam no nosso dia-a-dia.

Seria de esperar que na actual conjuntura de crise (a vários níveis) e que nos faz reflectir em muitas das coisas em que muitos de nós acreditamos, falte a consciência (ou em alguns casos a iniciativa ou vontade) de participar e exercer um dos direitos fundamentais mais importantes do ser humano: o direito de voto. E de, deste modo, tentar conduzir a política (afinal instituída para a concretização de interesses presentes na sociedade) do nosso país.

É precisamente esta nossa demissão da participação na vida política que promove a perda de qualidade dos nossos "políticos", a sensação (provavelmente para alguns, mais do que sensação a certeza) que temos de impunidade pelas promessas feitas e não cumpridas e da impossibilidade de uma efectiva responsabilização por tal, a perpetuação da estagnação em que Portugal se encontra desde há longos anos.

E, sendo a sociedade um reflexo dos seus vários membros, atrevo-me a opinar que este tipo de actuação (ou melhor, omissão) acaba também por reflectir o que é hoje, para mim, a sociedade portuguesa: uma sociedade profundamente marcada pela descrença, pela sensação de impotência, pela conformação com o "status quo", pela resignação. Que bloqueia qualquer possibilidade de verdadeiro avanço.

*Perdoem-me qualquer tom mais negativo e "desesperançado", mas isto hoje é Domingo e amanhã recomeça o trabalho depois de uma semana a recarregar baterias. Que, pelo que já pude antecipar, irão ficar completamente descarregadas antes de chegar a meio da semana...

1 comentário:

Pedro Miguel Gaspar disse...

Minha Amiga,

Gostei imenso da tua reflexão. Identifico-me com a tua visão do nosso País.
No ultimo paragrafo, no entanto, depois de milhares de reflexões sociologicas, acho que somos mesmo é perguiçosos. Trabalhar é uma obrigação e o estado tem de ser o nosso "paizinho" a vida toda.
Sempre foi assim.

Um beijo amigo