Para mim, o dia mais longo do ano não é o 21 de Junho. Não desde 2003.
Foi no dia 16 que te perdemos. Um raio com uma luz que brilhava mais que todas as outras do meu universo.
Partiste sem que eu te pudesse ver uma última vez, sentir o teu calor, a tua batida inigualável, a tua face com réstias daquela cor maravilhosa, ver-te a menear os teus fantásticos caracóis e olhar para aqueles olhos de um verde profundo que tinham a capacidade de nos encantar, quando inocentes, de deixar qualquer homem sem fôlego, quando profundos e travessos.
Mas ainda bem que não partiste sem antes os nossos caminhos se entrelaçarem (e não apenas cruzarem), ainda que por uns breves quatro anos. Foram uma vida.
E ainda hoje são as nossas histórias durante esses quatro anos que me inspiram a tornar-me uma pessoa melhor, a tentar dar mais de mim, tal como tu o fazias, incansavelmente e sem esforço. Do fundo do coração, espontaneamente. Sempre invejei e continuarei a invejar essa tua grande capacidade de humanidade e relacionamento com o próximo. A forma intensa como viveste os teus breves 24 anos. A capacidade que tinhas de agregar coisas boas à tua volta e sem que te desses conta disso.
Conquistaste-me numa noite de estudo no Ágora, naqueles noitadas sem fim e imemoráveis, sentadas no hall a fumar um cigarro e a trocar palavras pela primeira vez em 2 anos, apesar de sermos colegas e de eu ter andado na escola com a tua prima. Foi aí que fiquei tua fã incondicional, que me desviei do teu caminho para conquistar a tua amizade, incluindo-te no meu mundo e deixei que tu e a tua fantástica família me recebessem de braços abertos e incondicionalmente no vosso mundo.
Ainda hoje as palavras que proferiste em transe, numa das nossas imensas noitadas de estudo do 3.º ano em tua casa me queimam a alma: por serem verdadeiras e por nunca ninguém até então se ter apercebido do meu tormento interior e de o ter expressado tão cruamente e serenamente. E podes ficar descansada. Demorou, mas têm vindo a surtir o seu efeito.
Ainda hoje, continuas a ser tu a mensageira nos meus sonhos sempre que a mensagem é: vai correr tudo bem.
Ainda hoje, quando falei com a tua mãe, aquela gargalhada gostosa e aquela frase malandra "estou a ver que tens muito para me contar" me evocaram a tua voz, a tua gargalhada marota, aqueles olhos verdes gozadores.
E ainda agora, ao escrever estas palavras sorrio para mim e penso: agora é que a Catila gostaria de me ver. Bem comigo (ou melhor comigo própria), um pouco menos certinha, um pouco mais atrevida. Vê lá tu que até para as mini-saias tem me dado, mesmo não tendo aquelas pernas fantásticas que só tu tinhas para uma boa mini-saia...
Chegaste, viste e venceste a minha barreira de protecção como ninguém. Por isso, até que a minha chama se apague, a tua ficará sempre comigo, Amiga. Porque sei que onde quer que estejas (sim, porque a tua alma é grande demais para simplesmente desaparecer) continuas a olhar por mim.
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