Bem sei que a ideia era a de escrever aqui as palavras que nem sempre consigo ou quero exprimir. Mas tenho que ser honesta...mesmo este exercício é difícil...porque, de facto, nem tudo pode ser dito ou, mesmo, escrito.
Não é que não tenha assunto. Não! Pelo contrário, assunto é coisa que não me falta, pois sou moça de opiniões.
O problema é que mesmo as minhas opiniões são, por vezes, controversas e, por mais que tente dominar este ponto, custa-me sempre expressá-las perante espectadores que na grande maioria dos casos me vão tentar fazer ver que estou errada!
Admito que não gosto que me digam que estou errada. Mas também admito que desgosto menos quando o assunto é tema minimamente pacífico para todos os interlocutores, nem que seja porque temos mais ou menos a mesma base empírica que nos permite induzir que o tema será pacífico.
Eu sei que Platão advogava a dialéctica - a arte do diálogo para atingir a verdade -, mas se formos ver, a verdade depende sempre da perspectiva de cada um. O que é complicado quando todos temos experiências e percepções diferentes da vida.
É por isso que às vezes me custa um bocado expressar tudo o que me vai na alma, nem que seja porque tenho o hábito irritante de pensar que devemos ter estômago para ouvir as verdades uns dos outros.
Por exemplo, às vezes apetece-me censurar abertamente as pessoas que me rodeiam, mas não o faço, excepto com duas pessoas: a minha mãe e o meu irmão. São aquelas pessoas a quem sei que posso dizer tudo e de quem também espero que me digam tudo. Atenção, quando digo tudo é tudo aquilo que incomoda e susceptível de por em perigo os nossos laços tão frágeis se não for mudado/melhorado. Também não digo que tudo passa impune ou sem "fazer mossa". Como é óbvio, faz. E se não fizesse, diria que as pessoas que as proferiram não têm significado para mim.
Em menor grau, tenho também uma grande amiga a quem sinto que posso dizer quase tudo e que isso não afectará, pelo pior, a nossa amizade. Só gostava é de poder falar no plural...Mas há sempre esperança, por isso a ver vamos.
Ah, e que já estamos no tema das baboseiras com cheiro a confissões, aqui fica: outra coisa que detesto no processo da dialéctica e também na opinião que fazemos dos outros é a projecção do nosso eu nos outros. Passo a explicar: se há coisa que detesto é que os outros tomem/não tomem acções relativamente a mim, com medo de alguma reacção minha, medo esse muitas vezes puramente imaginário e resultado da projecção dos medos/atitudes desses outros em mim...Projecções para mim é só no ecrã de cinema ou com projector de sala!
*À advogada: a tradução do título é "baboseiras soltas"...é tarde,estou cansada e milhões de ideias fervilham nesta cabecinha
terça-feira, 9 de março de 2010
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)


Sem comentários:
Enviar um comentário