Dado o meu estado de euforia, não me contive em publicar apenas um post no dia de hoje.
É um dia especial para muitos que se encontram do outro lado do Atlântico e do qual muitos, do lado de cá, também se querem apropriar: Barack Obama, um político norte-americano, do partido Democrata, foi eleito presidente do país que é hoje aquele que, sob muitos aspectos (bons - o american way of life - e maus - a actual crise económica, o clima de insegurança, o ressurgimento de blocos de ideais políticos e de fanatismos religiosos) influencia a vida de milhões de seres humanos deste planeta.
A especialidade do 5 de Novembro de 2008 resulta de um aspecto: a cor da pele deste novo presidente da primeira (ou segunda, se quisermos considerar a China) potência mundial. Cor de caramelo, resultante da fusão de 2 raças: a negra e a branca.
Infelizmente, e porque as nossas concepções rácicas ainda não se adaptaram à realidade da miscigenação (ou globalização, como Aguiar decerto preferirá) que hoje em dia encontramos presente nas várias civilizações mundiais, diz-se que é o primeiro presidente negro ou preto dos EUA.
Durante a noite de ontem e o dia de hoje muito se disse em defesa da valorização do homem Barack para não se sobrevalorizar a questão da cor. Concordo com esta posição. Mas não posso, sob pena de desvalorizar muitos indivíduos, bem como as minhas origens, fingir que não tem importância. Porque tem. E ignorar este aspecto equivale a ignorar que nas nossas sociedades existem problemas associados à raça das pessoas, bem como todas as provações que muitas delas, em consequência desse aspecto, têm que suportar. Equivale também a ignorar o que muitos dos nossos antepassados (comuns ou não) tiveram que suportar para que, por exemplo, hoje eu seja dotada dos meios necessários para vos escrever estes pensamentos.
Se hoje, eu enquanto portuguesa celebro a identidade da Nação, fundada na luta e feitos históricos de antepassados que são, em parte meus, e orgulho-me do facto de não ser espanhola, creio que enquanto cidadã de um mundo cada vez mais global, também devo poder orgulhar-me do facto de, a partir de hoje, o mundo ter mudado e de um negro, ainda que não tenha ligações com a população negra dos EUA que durante séculos foi considerada como uma "classe" pária e sem direito a sentir-se parte daquele país, ter finalmente consolidado a sensação de pertença dos "afro-americanos" a um país que é, de facto, também seu.
Que este exemplo de mudança inspire outros, porque, mal ou bem, muitas vezes sentimo-nos ou fazem-nos sentir, limitados no nosso espaço de actuação. Como se só devessemos pertencer a um único sítio e dar graças por nos terem permitido o acesso a outros (ainda que de modo restrito).
A eleição de Obama tem ainda um outro efeito: a partir de hoje devemos julgar mais arduamente aqueles que se escudam por trás de uma cor/pigmentação de pele para justificar os seus falhanços enquanto indivíduos e seres humanos (mal ou bem) integrados numa sociedade.
Por fim, aproveito, para enquanto mulher com 2/3 de sangue "negro" e um terço de sangue "branco", reproduzir aqui parte do discurso de vitória de Barack Obama:
"This election had many firsts and many stories that will be told for generations. But one thats on my mind tonight is about a woman who cast her ballot in Atlanta. Shes a lot like the millions of others who stood in line to make their voice heard in this election except for one thing - Ann Nixon Cooper is 106 years old.
She was born just a generation past slavery; a time when there were no cars on the road or planes in the sky; when someone like her couldnt vote for two reasons - because she was a woman and because of the color of her skin.
And tonight, I think about all that shes seen throughout her century in America - the heartache and the hope; the struggle and the progress; the times we were told that we cant, and the people who pressed on with that American creed: Yes we can.
At a time when womens voices were silenced and their hopes dismissed, she lived to see them stand up and speak out and reach for the ballot. Yes we can.
When there was despair in the dust bowl and depression across the land, she saw a nation conquer fear itself with a New Deal, new jobs and a new sense of common purpose. Yes we can.
When the bombs fell on our harbor and tyranny threatened the world, she was there to witness a generation rise to greatness and a democracy was saved. Yes we can.
She was there for the buses in Montgomery, the hoses in Birmingham, a bridge in Selma, and a preacher from Atlanta who told a people that We Shall Overcome. Yes we can.
A man touched down on the moon, a wall came down in Berlin, a world was connected by our own science and imagination. And this year, in this election, she touched her finger to a screen, and cast her vote, because after 106 years in America, through the best of times and the darkest of hours, she knows how America can change. Yes we can."
Barack Obama, Presidente dos EUA: mudança na qual acreditámos e queremos ver em acção.
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1 comentário:
Vidé desafio no meu Blog sff... Bjs
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