quinta-feira, 16 de abril de 2009

A maldição do telemóvel

No passado é que era. Um passado não tão distante assim, que eu também ainda nem tenho 1/3 de século, ok?!?!?
Mas resumindo, no passado é que era.
Ainda me lembro de enviar cartas pelo correio aos meus amigos durante as férias grandes, só pelo prazer de dizer "olha, estamos longe, mas estou aqui, contigo no pensamento". Sem expectativas algumas. Mandava o postal ou a carta, e já ficava contente quando em Setembro, de regresso às aulas alguém dizia: "Recebi e adorei a tua carta."
Passando uns anos à frente, também ainda fui do tempo em que relações à distância podiam ser cultivadas (mal, é certo, como de resto evidenciado pela experiência) com os telefonemas de longa distância, que deixavam a minha mãe com os cabelos em pé, recebida a conta da PT (sim, porque na altura não havia nada de Novis, Sonae, Zon) e a minha pessoa de castigo, com restrições (durante algumas horas, é certo, que a minha mãe sempre detestou os castigos mais mundanos, preferindo deixar-nos com o peso das nossas acções indevidas na consciência - método altamente mais eficaz, garanto-vos) até à próxima conta do telefone.
Em que se combinava o dia e a hora do telefonema com os nossos amigos e outros mais que amigos, para podermos estar junto ao aparelho na hora em que o dispositivo tocasse. Independentemente de estarmos a um andar, um prédio, uma rua, uma cidade ou a países de distância.
O que é certo é que nesses tempos, falhando a comunicação, não nos sentíamos mal, as expectativas apenas em parte defraudadas, porque mesmo no acesso à comunicação nem tudo dependia sempre dos candidatos a interlocutores.
Que saudades desses tempos...e como detesto o telemóvel, por ter aumentado os nossos receios.
De facto, hoje quando tento estabelecer uma comunicação via telemóvel e não tenho resposta, tenho sempre que congeminar quais as mil e uma razões pelas quais não tenho ou (1) recepção da minha comunicação ou (2) resposta imediata a uma mensagem de texto. E bem sei que também eu, com as minhas acções (ou omissões, neste caso) posso estar perfeitamente a incutir noutra pessoa a mesma sensação.
Confesso que em determinadas situações, em particular as que envolvem interacções com pessoas do sexo oposto ou "love interests" se quisermos ser mais actuais, não consigo refrear pensamentos menos simpáticos sobre o motivo porque não tenho resposta imediata a, por exemplo, SMS's, em particular quando são daqueles que nos expõem e nos deixam mais vulneráveis aos olhos do respectivo destinatário. Será que disse de mais? Será que disse de menos? Será que não gostou? Será que não responde porque tem a atenção centrada em algo mais interessante? Será que quer ignorar-me? Será, será, será...
Se o telemóvel contribuiu para nos permitir estar mais presentes na vida daqueles com os quais temos/queremos comunicar, creio que o imediatismo que lhe está necessariamente associado também contribui muitas vezes para estados de inquietação e desassossego...como aquele em que encontro agora, depois de ter enviado um SMS há 3 horas e ainda não ter tido resposta...ai inquietude, que agora me acompanharás no sono...sleep tight my friend!

3 comentários:

MJR-Escritório Advogados disse...

Acho que funciona tudo mais rapidamente com os telemóveis, quer os amores, quer os desamores...

Kisses for you my dear friend

Nadehzda disse...

Como concordo contigo...Mesmo pesando os prós e cons acho que gostava mais das relações mais mediatas. Beijo grande

Gimp disse...

É verdade!
É uma fonte de ansiedades!
Quer em questões do coração, do tipo será que sim, será que não?
Quer nas questões profissionais: será que me vão fazer alguma proposta? Porque é que não tocas?
Ou ainda noutras que supostamente nos tranquilizariam...do género, no news, are good news...
Longe vão esses tempos...
kisses!